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3
Mar -
Review: Percy Jackson & Os Olimpianos: O Ladrão de Raios
- Com 1 comentário
Por Priscila Queiroz
Admito: apesar de ter o pé atrás com adaptações, de já saber de algumas mudanças sem sentido e do Chris Columbus, fui ao cinema ver “O Ladrão de Raios” com expectativa alta. “Percy Jackson & Os Olimpianos” é a primeira saga literária a me empolgar de verdade em algum tempo. Talvez por Percy, que é o narrador da história, ser um personagem bastante sarcástico, com algumas tiradas ótimas; talvez por envolver mitologia grega, uma das coisas que me fascina. O que importa é que eu adorei os livros, e não via a hora de ver a história ser levada para as telas.
Este é o meu maior problema com a adaptação de Chris Columbus, escrita por Craig Titley (Doze é Demais e Scooby Doo). A história do livro não é o que foi levado às telas. Para o filme, Titley criou sua própria história, usando personagens e alguns elementos do livro de Rick Riordan. Oras, se eu quisesse ler uma história nova usando os personagens criados por Riordan, leria fanfic em vez de ir ao cinema.
No filme, Percy Jackson (Logan Lerman) não tem 12 anos, e sim 16. Ao ser atacado por uma Fúria, ele descobre que é filho de Poseidon e, por isso, um Semideus. A Fúria estava procurando a arma mais poderosa do Universo, o Raio Mestre de Zeus, que foi roubado do Olimpo e precisa ser retornado para que uma guerra entre os deuses seja evitada. Daà o nome do filme, “O Ladrão de Raios”.
No entanto, tirando uma breve explicação no inÃcio a respeito do que é o Raio Mestre e porque ele precisa ser devolvido, não se toca no problema do Raio - que, novamente, dá nome ao filme - até o final, quando tudo se resolve por acidente. No livro, ao descobrir sua origem, Percy recebe a missão de recuperar o Raio de Zeus; no filme, a busca de Percy tem um outro motivo, completamente diferente, que não vou mencionar para não estragar a história para ninguém. Mas acho que vocês já perceberam que não tem a ver com o Ladrão de Raios.
Esta mudança comprometeu não só esta adaptação como as possÃveis sequências. Titley e Columbus deixaram tanta coisa importante de fora que, para o próximo filme, vai ser ainda mais complicado colocar tudo o que importa dentro do roteiro de maneira que faça sentido.
Outro problema que é gritante no filme são os diálogos. São de doer. Pedras caem na porta de uma caverna; reação: “parece que estamos presos aqui.” Jura? Este é um exemplo que consigo lembrar especificamente, mas não é pequena a quantidade de cenas em que as falas são tão previsÃveis quanto desnecessárias, não contribuem em nada para a história ou os personagens. Reações, especialmente, são as piores: você consegue adivinhar o que o personagem vai falar 10 segundos antes. Muitos rabichos de cenas poderiam ter sido cortados sem comprometer o filme, pelo contrário, os cortes melhorariam vários momentos vergonha alheia.
Mas uma boa edição é algo que eu não espero de Chris Columbus desde os primeiros Harry Potter. Quando vi “A Pedra Filosofal” e “A Câmara Secreta”, lembro de ficar revoltada com várias cenas com cortes óbvios e mal feitos. Não foi diferente em “O Ladrão de Raios”. São muitos os momentos em que um corte tira o ritmo da cena, e fica claro que havia algo ali que ele não deixou a platéia ver. Às vezes, alguma coisa que até daria sentido à cena (engraçado como ele deixa momentos dispensáveis e tira o que importa). O “melhor” exemplo, que para mim já se tornou um clássico e que deve ser mostrado em escolas de cinema para ensinar como não cortar uma cena, é um momento do final do filme. Foi mais ou menos assim (spoilers mÃnimos, nada importante para a trama):
Percy, chocado: “Mas esse não é o Olimpo, é o Empire State!”
[Corte claro]
“Percy, a entrada é ali. Temos 10 minutos!”
Percy, agora já entendendo tudo: “Ok!”
Como assim, Bial? Onde foi parar a explicação? Provavelmente está na lixeira do computador na sala de edição.
Estes foram meus maiores problemas com o filme. Houve outros (Annabeth de cabelo castanho? Cadê a Clarisse? Que acampamento tosco é aquele? E essa lei de Zeus que proÃbe os deuses de verem seus filhos, de onde surgiu?), mas no esquema geral das coisas, importaram menos. Para ser justa, o filme acerta em alguns aspectos. Logan Lerman é um ótimo Percy, e faz uma boa dupla com Brandon T. Jackson que está muito divertido como Grover. A Medusa de Uma Thurman é o ponto alto entre os vilões do filme e Melina Kanakaredes como Atena foi um tiro no alvo. Os atores no geral estão muito bem. Tirando Sean Bean, que podia ser mais deus supremo do Olimpo e menos garoto mimado e emburrado (o piti no encontro com Poseidon, logo no inÃcio do filme, foi muito forçado).
Mas estes pontos bons, infelizmente, não acobertam as inúmeras falhas do filme. É uma pena. O filme mal se pagou, o que não é um bom sinal para as sequências. Se o livro continuar fazendo sucesso nas listas de mais vendidos, é possÃvel que a Fox arrisque mais uma vez, até por ter contratado alguns atores para três filmes. Só espero que Chris Columbus não retorne como diretor, para o bem dos fãs de Percy.
* Priscila Queiroz é jornalista e trabalha com Marketing Online. Sempre com um pé no entretenimento, escreve sobre cinema, TV, games e literatura, interesses que ficam entre o hobby e o profissional. Seus artigos podem ser encontrados no blog Volume Único ou no Twitter.
There are 1 comentário
¬ Percy Jackson está entre nós. Ou não. » Volume Único
#46437 Março 3rd, 2010 at 7:44 pm
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